sábado, 4 de junho de 2011

Visão normativa e visão científica: é possível levar a linguística para além dos muros da academia?

XIV Encontro dos Alunos de Pós-Graduação em Linguística da USP
Data: 14, 15 e 16 de junho de 2011 - USP, São Paulo

"A comissão organizadora da 14ª edição do ENAPOL (Encontro dos Alunos de Pós-Graduação em Linguística) propõe para o encontro deste ano uma discussão sobre as diferentes visões existentes no estudo da língua e da linguagem. Chamamos a todos para refletirem sobre tópicos como a gramática normativa, os preconceitos linguísticos, a diferença entre língua escrita e língua falada, o ensino de língua nos níveis fundamental e médio, visando a responder à seguinte pergunta: é possível levar a linguística que nós fazemos na universidade para fora de seus muros, para a escola e para a sociedade?"
Confira a programação aqui.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Simpósio Linguagem e Escola

Que questões sobre educação e escola estão por trás da polêmica sobre o livro didático adotado pelo MEC?

DATA: 07 de junho (terça-feira) às 18h

LOCAL: Faculdade de Educação (Faced)

Av. Paulo Gama, 110, Campus Centro - Sala 101

CONVIDADOS:

Profa. Cátia Ramos- Professora de EJA no município de Porto Alegre

Profa. Luciana Piccoli - Faculdade de Educação/UFRGS

Profa. Rosa Hessel Silveira - Faculdade de Educação/UFRGS

Profa. Luciene Juliano Simões - Instituto de Letras/UFRGS

MEDIADOR:

Prof. Pedro Garcez - Instituto de Letras/UFRGS

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Vale a pena assistir!


De uma maneira simples e informada, o Doutor em Linguística pela USP, José Luiz Fiorin, explica questões complexas que estão em pauta no debate acerca do livro didático "Por uma vida melhor": a relação entre língua e identidade, a relevância de se discutir variedades da língua com os alunos na escola e o ensino da norma culta.

Destaca-se a comparação que ele faz entre a percepção de variedades sociais da língua e a de variedades regionais: “Ridicularizar a língua que alguém fala é ridicularizar a sua própria identidade. Imagina se eu começar a ridicularizar as variedades regionais da língua: começar a ridicularizar a forma como um gaúcho fala, como um carioca fala, como um sergipano fala...”



terça-feira, 31 de maio de 2011

Evento Unisinos


Painel e debate sobre o tema Livro didático - o certo e o errado na mídia.

Painelistas:
Profa. Dr. Luciene Simões (Letras, UFRGS) - Tabus na escola representada: pode-se dizer e ensinar o que se deve aprender?

Profa. Dr. Gelsa Knijnik (Educação, UNISINOS) - Diferentes formas de vida, diferentes matemáticas...

Prof. Dr. José Luiz Braga (Comunicação, UNISINOS) - Circuitos canhestros

Coordenação:
Profa. Dr. Ana Maria Stahl Zilles (Letras, UNISINOS)
Profa. Mestre Ana Luiza Freitas (Letras, UNISINOS)

Data: 08/06/2011
Horário: 19h e 30min às 21h e 30min
Local: Auditório Central
Público-alvo: Evento Gratuito para Alunos de Letras, Comunicação, Pedagogia e Comunidade em Geral

Os alunos que desejarem contar a atividade como horas complementares devem fazer inscrição junto à Central de Atendimento ou no site da UNISINOS.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dossiê - Livro Didático no Portal do MEC

Se você quiser ler mais artigos sobre a polêmica causada pelo livro didático “Por uma Vida Melhor”, adotado pelo Ministério da Educação (MEC) e distribuído pelo Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos (PNLD-EJA), clique aqui.

Narradores de Javé - Indicação de filme

Narradores de Javé
(Direção: Eliane Caffé, 2003)
Andréa Mangabeira

“E desde então essa é a história de Javé que se conta, mas que também pode ser lida e relida por essa serra e por essas grota sem fim, tá assentada em livro correndo o mundo, pra nunca que ser esquecida, é isso e num tem mais que isso, quem quiser que escreva diferente.” (Fala de Zaqueu, personagem do filme).


A fala em destaque retoma alguns dos pontos mais interessantes no filme Narradores de Javé. O longa nacional, dirigido por Eliane Caffé e lançado no ano de 2003, conta a história do povoado de Javé, no interior da Bahia, que se vê ameaçado pela construção de uma barragem que provocará seu desaparecimento.

O que fazer, diante de tamanha ameaça? Como provar o valor do povoado e impedir que toda a sua história grandiosa seja levada pelas águas? A solução para essas perguntas é que constrói o enredo dessa história narrada por Zaqueu, líder do povoado, e protagonizada por Antônio Biá, habitante alfabetizado, cujo valor pessoal está em dominar a escrita em um lugar onde praticamente todos são analfabetos.

Antônio Biá, funcionário de uma agência de correio, perde seu emprego quando a agência é fechada, afinal “Pra quê um posto de correio num lugar que ninguém sabe ler e escrever?”. Na tentativa de manter a agência em funcionamento, acaba caindo no ostracismo, rechaçado por toda a cidade e condenado a exercitar a escrita apenas nas paredes de sua casa. A situação do personagem levanta a pergunta: afinal de contas, de que vale saber escrever num lugar onde ninguém sabe ler? A continuidade da trama mostra, no entanto, como o domínio da escrita pode se tornar algo muito valioso, reconfigurando as relações de poder e prestígio de uma população ribeirinha e semianalfabeta.

“Uma coisa é o fato acontecido, outra coisa é o fato escrito, o acontecido tem que ser melhorado no escrito de forma melhor para que o povo creia no acontecido (...) se o sujeito é manco, eu digo que ele não tem uma perna, é das regras da escritura. Essas palavras de Antônio Biá ganham importância quando a cidade começa a enfrentar a difícil tarefa de escrever sua história no “Livro da Salvação”, reunindo em uma só versão escrita as muitas versões orais contadas e recontadas através de gerações. A razão para tamanho esforço é revelada pelo líder Zaqueu: “só não inunda se for patrimônio (...) até hoje ninguém escreveu porque não precisou (...) temo que botar na escrita pra provar pra as autoridade porque que Javé tem que ter tombamento.”

O filme trata de uma maneira séria, ainda que descontraída, questões muito complexas, mostrando como discussões que muitas vezes se restringem ao âmbito técnico e acadêmico podem ser abordadas visando à interlocução com os mais diferentes públicos. No cardápio dos debates que o filme levanta, podem ser destacados: memória, história oral, patrimônio cultural, letramento, analfabetismo, relações de valor entre escrita e oralidade e relações de poder e prestígio mediadas pela escrita. Tudo isso sem falar na questão central e polêmica que é a inundação de cidades para a construção de usinas hidrelétricas.

Narradores de Javé é uma boa pedida para aqueles que querem dar boas risadas e se divertir com o dia-a-dia de um povoado narrado por meio de uma linguagem repleta de ditos populares regionais e de muito bom humor. Além disso, para os profissionais ligados à educação, o filme pode ser um ótimo aliado para levar para a sala de aula o debate acerca de diversas questões relacionadas às áreas da linguagem e das ciências humanas, especialmente as que abordam o uso da linguagem e sua relação com a participação social e as demandas de uma sociedade letrada.